O dia 17.06.2013 foi incrível!
Mais de 60 mil pessoas foram às ruas em SP, cerca de 100 mil no RJ e mais de 200 mil em diversas cidades do Brasil. Algo realmente inacreditável, que não imaginava ver algum dia. Muita gente ficou perplexa, mas não só aqueles que participaram ou que moravam perto, como também aqueles que acompanharam pela internet ou ficaram sabendo apenas a partir das transmissões ao vivo. Não me engano, sei que o Brasil é enorme e há lugares que não foram afetados por essa euforia e esperança, principalmente gente que ainda não tem a mínima atenção da sociedade. Mas foi histórico. Foi lindo. Tão lindo e surpreendente que nos deixou em êxtase. De forma que parece haver certo clima de vitória, missão cumprida.
Fazendo tosca analogia à contraditória e agora, de forma quase unânime, hilária (ou lamentável) Copa das Confederações, um jogo foi ganho, mas falta o resto do campeonato. Talvez nem um jogo, mas fizemos um gol no primeiro tempo. E que golaço! Contudo, na humilde opinião de um leigo que sou, creio que o mais difícil está por vir. Não é porque subimos no Congresso que agora só nos resta exigir e gritar que teremos tudo na mão. O berro foi ouvido! O mundo todo parou para escutar, mas temos que ter algo a dizer.
A faísca dos R$ 0,20 foi alimentada por repressão desproporcional da PM sob ordem de superiores. Não foi a primeira e única manifestação das últimas décadas. Muito pelo contrário! Mas por combinação de fatos essa cresceu e muitos, um a um, foram cedendo, tanto que de cinco mil na quarta manifestação do MPL em SP, somaram-se mais de 60 mil nesta segunda-feira. E agora queremos mais! Todos estão impressionados, jornais nacionais e internacionais já não ignoram mais, políticos demonstram hesitação, receio e despreparo. Há dúvidas e dúvidas do ar. O que é tudo isso? Onde vai parar?
Para encurtar a reflexão e em breve reorganizar as ideias, os próximos passos serão cada vez mais difíceis. Mostramos força, mas para quê? Não queremos quebrar tudo, queremos construir! Espero que a violência da minoria se reduza ainda mais e as conversas e debates da maioria só aumentem para que todos pensem acerca do futuro. O que queremos para o país? Faltam objetivos claros e realistas. Não basta exigir os fins, devemos mostrar os meios. Elaborar propostas! Somos capazes!
E precisamos agir rápido, pois as respostas estão surgindo de forma cada vez mais esparsa, desconexa e vazia. Precisamos transformar o sentimento de indignação em projetos, planos e ações. Senão tudo convergirá novamente para o jogo partidário, os grupos se dividirão e nas próximas manifestações teremos 20, 10, 5 mil. Tudo esfriará e sofreremos uma virada histórica e vergonhosa, o novo Maracanazo.

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