sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Bola maior

"Todos os sábios, poetas, filósofos, tiranos, santos e genocidas; todas as pessoas que você conhece, ignora, respeita, despreza, ama ou odeia vivem, ou já viveram, suas vidas inteiras na bola maior. É lá também que estão todos os seus problemas, sonhos e esperanças.

Todas as guerras e crimes, bem como todos os grandes e pequenos atos de sacrifício e generosidade já registrados em algum momento da história aconteceram lá.

Já a bola menor marca a maior distância já viajada por membros de nossa espécie. É o limite atual da experiência humana". Carl Sagan

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

O Brasil depois das urnas

O Brasil depois das urnas
NEY FIGUEIREDO


Administrar o país e cuidar de alianças políticas para dar sustentabilidade ao governo não será tarefa fácil, seja qual for o nome que sair das urnas




Com as cartas na mesa, o mais importante é indagar que estilo de governo resultará das próximas eleições. Não se pode deixar de apontar diferenças fundamentais entre os dois principais oponentes: a candidata petista, se vencedora, poderá ser continuadora do governo Lula, dependendo das pessoas que a cercarem.
Se o núcleo predominante for ocupado pelo próprio Lula e por nomes como Antônio Palloci, Fernando Pimentel, Paulo Bernardo e José Eduardo Cardoso, é provável que as linhas centrais da política econômica não se afastem muito do modelo atual.
Contudo, se a ala mais radical do PT assumir as rédeas, coisa que Lula nunca permitiu, poderemos ter sérias turbulências pela frente: mais controle do Estado pelo partido, mais burocracia e corporativismo, mais corrupção, mais uso de controles não democráticos, além de aproximação com governos autoritários.
Até o momento, ela tem tido opiniões firmes, com as quais podemos ou não concordar, e tem lutado, como fez durante toda a sua vida, pelo que acredita.
É impossível prever com exatidão qual será o seu comportamento quando estiver, se estiver, na solidão do poder do Planalto, tendo de conviver com uma aliança política que limitará o seu espaço de manobra.
É necessário lembrar que teremos um vice-presidente da República com voo próprio, dirigente de grande partido político e líder de uma bancada majoritária na Câmara e no Senado.
Serra, por outro lado, deverá ter uma gestão mais competitiva, transparente, com menos ingerência de forças partidárias-sindicais.
Não contará, pelo menos no início de seu eventual governo, com maioria na Câmara e no Senado, o que lhe obrigará a gastar grande parte do seu tempo em tentar aumentar a sua base de apoio parlamentar -algo parecido com o que aconteceu no segundo mandato de Fernando Henrique.
Certamente, haverá um novo direcionamento do papel do Estado na economia, o que poderá desagradar parte dos seus apoiadores.
Seja quem for o eleito, vai encontrar o país gozando dos frutos da estabilidade advinda de uma política econômica que seguiu os fundamentos básicos plantados pelo governo de Fernando Henrique, fazendo com que o nosso país passasse com louvor pela recente crise internacional.
Todavia, não se pode deixar de lembrar que o eleito terá que enfrentar a bomba de efeito retardado que Lula vai deixar para o seu sucessor. A política fiscal foi afrouxada, abandonando-se as rígidas metas fiscais do primeiro mandato.
Abriu-se um generoso saco de bondades, ampliando-se de forma inusitada os programas assistenciais. A máquina pública foi inchada com a criação de milhares de cargos, a maioria ocupada por indicados do principal partido de sustentação do governo, o PT.
Administrar o país e cuidar das alianças para dar sustentabilidade política ao governo não será tarefa fácil, seja qual for o nome que resultar das urnas.

NEY FIGUEIREDO, 72, consultor político, é membro do Conselho Superior de Pesquisa de Opinião Pública da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e diretor do Cepac - Centro de Pesquisa, Análise e Comunicação. É autor de "Diálogos com o Poder", entre outras obras.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

FOLHA DE S. PAULO

sábado, 21 de agosto de 2010

TV nunca mudou eleição presidencial

Desde 89, candidato que estava na frente no início da propaganda eleitoral sempre ganhou a disputa no final

Em outras eleições, como na vitória de Kassab em 2008, TV foi crucial para alterar resultado da disputa

RANIER BRAGON
FERNANDA ODILLA
DE BRASÍLIA

A campanha na TV tem histórico de relevantes movimentações na intenção de voto dos candidatos à Presidência, mas até hoje não teve impacto suficiente para tirar a vitória daquele que iniciou o período na dianteira.
Nas cinco eleições presidenciais após a redemocratização -de 1989 a 2006-, saiu vitorioso o candidato que liderava as pesquisas imediatamente antes da entrada da campanha na TV.
A análise das planilhas do Datafolha mostra que se encontravam nessa situação Fernando Collor (PRN) em 1989, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em 1994 e 1998, e Lula (PT) em 2002 e 2006 -em 94, FHC dividia a ponta com Lula, em empate técnico, mas em ascensão.
Apesar disso, a propaganda televisiva coincidiu com períodos de movimentações que em dois casos levaram um cenário de vitória em primeiro turno para o segundo.
Em 1989, Collor abriu o período da propaganda com sete pontos de vantagem sobre todos os principais oponentes somados. No final, havia caído de 40% para 26% na pesquisa. Embolado na terceira posição, Lula praticamente dobrou seu índice e, por margem estreitíssima, derrotou Leonel Brizola (PDT) e foi ao segundo turno.
Nas vitórias de 1994 e 1998, ambas no primeiro turno, FHC tinha mais minutos na programação eleitoral e assistiu no período televisivo a uma ampliação da vantagem em relação a Lula.
Já em 2002, Lula iniciou a TV com Ciro Gomes (PPS) como seu principal oponente. Entretanto, Ciro derreteu de 27% para 11% das intenções de voto, desempenho em parte atribuído à exploração na TV de frases polêmicas e da discussão com um eleitor.
José Serra (PSDB), dono da maior fatia eletrônica, acabou indo ao segundo turno.
"O horário eleitoral sepultou as chances de Ciro por conta das bobagens que ele falou", disse o cientista político Marcus Figueiredo, professor da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro),
Autor de estudos sobre o tema, ele diz que a propaganda na TV constrói a imagem dos candidatos e pauta debates, mas que está longe de ser a única variável para que o eleitor defina seu voto.
Na disputa de Lula pela reeleição, em 2006, o petista vencia o conjunto dos principais oponentes por dez pontos no início da propaganda.
Em meio à repercussão do episódio em que petistas foram presos tentando comprar um dossiê antitucano e após faltar ao último debate, na TV Globo, teve que disputar o segundo turno com Geraldo Alckmin (PSDB).
As planilhas do Datafolha mostram não haver padrão sobre o momento da campanha na TV em que as intenções de voto se estabilizam.

OUTRAS ELEIÇÕES
Houve mudanças, no entanto, no resultado final de outras eleições. Um dos exemplos mais claros é o da eleição de Gilberto Kassab (DEM) à Prefeitura de São Paulo, em 2008. Em 22 de agosto, na semana de início da propaganda na TV, ele tinha 14%, contra 41% de Marta Suplicy (PT) e 24% de Geraldo Alckmin (PSDB).

Extraído de FOLHA DE SÃO PAULO

Cai o ritmo de crescimento do ensino superior

Apesar de as grandes empresas nacionais e estrangeiras enxergarem enorme potencial no mercado de educação, o ritmo de expansão do ensino superior vem caindo.
Segundo a Semesp, o número de instituições privadas saltou 148% de 1999 a 2009. No entanto, o ritmo de alta caiu de 15% entre 2000 e 2004 para 5% nos outros cinco anos.
Os motivos são a carência de financiamento e a baixa qualidade da educação básica, que forma pessoas despreparadas.
Com isso, apenas 14% dos jovens de 18 a 24 anos estavam na universidade em 2009. A meta do governo era elevar esse percentual para 30% em 2010.
A expectativa da Hoper é que o faturamento das empresas (R$ 25 bilhões em 2009) cresça 5% nos próximos três anos.
O Morgan Stanley projeta crescimento de 5% a 6% para o setor nos próximos anos. Segundo o banco, uma expansão mais acelerada depende de como será aplicado o dinheiro do Fundo Social a ser criado com recursos do pré-sal.
Ryon Braga, da Hoper, sugere que o governo crie um fundo de garantia para financiamento privado, o que derrubaria os juros.
"É melhor do que criar novas universidades públicas com custo médio anual de R$ 24 mil por aluno, ante média de R$ 5.000 no setor privado. As privadas estão com vagas sobrando." (MS)

Extraído de FOLHA DE SÃO PAULO

domingo, 4 de julho de 2010

Realiade tal como é

"O fato de a virtude e a civilização estarem em declínio já se encontra acima de qualquer dúvida. A própria linguagem está corrompida e a falência moral é mascarada pelos eufemismos. [...] Para Platão e Aristóteles, a ética era tida como uma ciência racional, já que a questão de como o ser humano deve viver para tornar-se cada vez melhor é objetiva. O modernismo, entretanto, inaugurou uma concepção de ciência como estudo de uma natureza vazia de propósito e assimilou toda a razão aos métodos empíricos e lógicos da ciência. Com base nesse modelo reducionista, não se tem como justificar a ética tradicional racionalmente, porque ela não é nem verificável pela observação nem pode ser provada através da lógica. No lugar da ética tradicional, portanto, foi preciso colocar algum substituto racional. [...] Os educadores até mostram boas intenções ao tentarem preparar as crianças para os perigos deste mundo, informando-as sobre as drogas, a violência e o abuso sexual, mas tais programas não falharam apenas em promover o caráter delas, eles “saíram pela culatras, exacerbando os dilemas que buscavam resolver”. Causaram assim o crescimento do medo, paranóia, e, portanto, do ódio e da falta de esperança, que atualmente incentiva as crianças a experimentar aqueles comportamentos que elas sabem muito bem que são perigosos. O fato de uma pessoa meramente saber que algo pode lhe fazer mal não será suficiente para a dissuadir, se a vida lhe parece privada de sentido e ninguém lhe incutiu motivações mais nobres".

“Virtue, Civilization and the Restitution of Man”. Angus Menuge

domingo, 27 de junho de 2010

Quadrilha

João amava Teresa,

que amava Raimundo,
que amava Maria,

que amava Joaquim,
que amava Lili,

que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos,

Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre,

Maria ficou pra tia,
Joaquim suicidou-se

e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Blowin' in the wind

How many roads must a man walk down,
Before you call him a man?
How many seas must a white dove sail,
Before she sleeps in the sand?
Yes, and how many times must cannonballs fly,
Before they're forever banned?
The answer, my friend, is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind

Yes, and how many years can a mountain exist,
Before it's washed to the seas (sea)
Yes, and how many years can some people exist,
Before they're allowed to be free?
Yes, and how many times can a man turn his head,
And pretend that he just doesn't see?
The answer, my friend, is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind.

Yes, and how many times must a man look up,
Before he can see the sky?
Yes, and how many ears must one man have,
Before he can hear people cry?
Yes, and how many deaths will it take till he knows
That too many people have died?
The answer, my friend, is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind

Bob Dylan